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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Maratona de Sintra – Magnifica até ao km 53

A Maratona de Sintra ficará para sempre marcada!

Passei por trilhos fantásticos, tive acesso a paisagens magníficas mas, parei no chão e nada bem!

Cheguei à Maratona de Sintra com uma condição física muito agradável e arranquei com a consciência que iria ter pela frente um duro desafio, tendo arrancado com algum cuidado no esforço aplicado, visto que após um estudo da altimetria, a sua análise assim o exigia!

Tinha feito na véspera da Maratona 65km em ritmo descontraído e por isso sentia-me bastante fresco.

Arranquei no 3º bloco (existiam 4 separados por 5min), logo na primeira subida e após uns 3/4 km já estava a ultrapassar elementos do 2º bloco, ao km 7/8 já deixava para trás elementos do 1º bloco. Senti que estava a andar bem e que talvez não houvesse necessidade de abusar, abrandei ligeiramente com 2 colegas que entretanto fizeram comigo um trio, falamos entre nós abrandar um pouco, as forças fariam falta mais lá na frente. Cerca do km 15, o meu amigo João Marinho estava na minha roda, ele tinha partido no 4º bloco, passa-me e diz-me “bora!”, durante uns segundos ouvi-o, mas depois lembrei-me que era preciso ir com calma…
As subidas eram curtas, muito íngremes (tenho o registo de várias indicações acima dos 20% e máximo de 26%) e exigiam um esforço e pedalada constante! Sentia-me bem e via que nestas subidas ganhava terreno a quem ia perto de mim.
Já depois da separação, perto dos 30km o meu amigo Zé Silva vem umas dezenas de metros atrás de mim, ele chama-me e eu penso ter encontrado ali o parceiro ideal para o restante da Maratona. Aqui deixo cair o bidon e mando o Zé seguir, sabia que o iria apanhar mais à frente, porque ele não ia com o espírito de campeão que é, mas apenas ia a “curtir” o percurso e eu não ia em esforço! O espírito que ele levava era tão descontraído que mais à frente “encosta” para despejar a bexiga e eu opto por seguir sozinho de encontro a um dos meus parceiros iniciais, o outro já havia ficado para trás na zona de separação (km25). A partir daqui, já com mais de 40km realizados, vinha a zona de aposta, ou seja, era aqui que iria subir a rotação e dar o que tinha, haveria algumas subidas curtas e depois estaria nos últimos 8 km a derradeira e mais longa subida, onde contava ganhar alguns lugares.
O meu ritmo era, a esta altura, o mais intenso, as zonas de cardio gastas eram as mais elevadas e finalmente a regra era eu passar colegas de pedalada e não o contrário, ia sem dúvida a andar bem agora!
Ao km 53, ao fim de 2h52 a pedalar e com já 1710mt de desnível vertical acumulado, e após ter passado com todo o à-vontade uma zona bastante técnica, uma distração colocou-me no chão a uma velocidade superior a 30km/h!
Senti que a queda tinha sido muito bruta, mas só quando tento levantar-me para seguir o meu destino me apercebo que a Maratona de Sintra tinha acabado para mim! O meu joelho estava estranho, tinha um buraco de dimensões bem “interessantes”.
Logo de seguida os fotógrafos que por ali andavam me tentaram socorrer, mas o melhor que conseguiram (e podiam) fazer, foi ligar a pedir ajuda, o dorsal 253 estava ali estatelado, com um buraco no joelho e com todo o braço e ombro bem raspados (no cotovelo também falta um pouco de carne, só um pouquinho, nada de especial)!

Ali esperei cerca de 20/25min até que apareceu o amigo Zé Silva que parou e se preocupou com o meu estado, o que até é normal, é amigo e eu estava com uma aparência um pouco vermelha a mais! Mandei-o embora, não havia nada que ele pudesse fazer!
Como havia imensos acidentados e a zona era de acesso complicado, decidi pegar na bike e voltar trilho acima, sabia que a estrada estava perto e tinha visto lá pelo menos a GNR quando por lá passei! Foram cerca de 400mt de algum sacrifício, caminhar no meu estado não era fácil e levar a bike não ajudava também!
Quando cheguei à estrada a GNR disse que a ambulância andava a tentar encontrar-me, mas que os acessos não eram fáceis… e não eram mesmo! Com o desencontro que houve e com a simpatia e disponibilidade dos 4 agentes da GNR que ali estavam, a solução foi um deles pegar na bike e em mim e levar-me para o Hospital de Campanha que estava montado na Zona de Meta da Maratona. Ali fui recebido por uma equipa de médicos e enfermeiros que me trataram com todos os cuidados, atenção e simpatia. Enquanto o meu amigo Carlos não chegou lá para tomar conta das minhas coisas, incluindo a bike, o agente da GNR não arredou pé dali e me disse que não me preocupasse que iria ali ficar até alguém da minha confiança ali chegasse.

Quero com isto agradecer aos fotógrafos que inicialmente me tentaram socorrer, aos 4 agentes simpáticos da GNR que estavam no local onde eu fui ter a pedir ajuda, sobretudo ao que me levou e as minhas coisas guardou, à equipa da Cruz Vermelha Portuguesa – Unidade de Socorro Amadora-Sintra, que com todo o cuidado, interesse, preocupação e simpatia trataram de mim durante mais de 1h e, por fim, obviamente agradeço ao meu grande amigo Carlos Ferreira que durante todo o processo esteve presente!

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